Bem, vamos começar de trás para frente, até porque os últimos eventos estão mais frescos na memória. Além de contar as novidades, decidi fazer deste blog uma fonte de dicas de viagem. Assim, quem se animar a ir à Praga ou à Suíça, encontrará aqui informações úteis. Uma amiga uma vez me disse que se um dia eu quisesse mudar de profissão, com certeza, seria uma boa guia turística. Então, por que desperdiçar este talento? :-)
Vamos lá, o feriado em Ticino (ou Tessin, em francês ou alemão) - o cantão italiano da Suíça. Mas, primeiro, alguns aspectos culturais: este pequeno, grande país de 41.293 km2 está dividido em 26 cantões (como se fossem os nossos estados). Possui aproximadamente 8 milhões de habitantes, dos quais 20% são estrangeiros, e 3 idiomas oficiais: alemão, francês e italiano. Na verdade, existe ainda outro idioma – Romanish – considerado nacional, mas não oficial. O alemão é o idioma predominante, falado por 63% da população, o francês por 20.4% e o italiano por apenas 6.5%. Cada uma das regiões da Suíça sofreu forte influência dos países fronteiriços, por isso sair da alemã Basel e ir para a italiana Locarno, em Ticino é como ir para outro país. A atmosfera, o humor, o clima, a comida, tudo é diferente. É mais ordenado que a bagunçada Itália, mas mais relaxado que a Suíça alemã.

Ainda conheço muito pouco desse país, mas é possível que Locarno, Ascona, Valle Verzasca e toda a região do Lago Maggiore fiquem no “Top 10” das minhas preferências.
A rede de trens na Suíça e o transporte público nas cidades são perfeitos, mas a primeira dica: para ir para essa região, o carro ainda é a melhor opção. Então, lá fomos nós: eu, meu pai e minha mãe. Como era de se esperar, as estradas são maravilhosas. A expectativa era passar pelo túnel St. Gotthard. Este túnel tem 17km de extensão e o fluxo de veículos em seu interior é controlado. Sinais de trânsito controlam a entrada e com o feriadão em boa parte da Europa, esperávamos tráfego e retenção. Realmente, demoramos 1,5h a mais por conta do trânsito, mas “no stress”; durante os 15 minutos que ficamos completamente parados, aproveitamos para sair do carro, tirar fotos e relaxar. Afinal, tudo era novidade e a paisagem dos Alpes deslumbrante

Uma surpresa: ninguém respeita limite de velocidade. Suíços, Alemães e Franceses, todos acima do limite de 120km/h. Neste ponto, eu que parecia “a Suíça”, me senti “a tartaruga”, mas segui respeitando os limites, afinal já ficava com raiva de pagar multa em Reais em Francos Suíços, então, nem pensar!
Ficamos em Locarno, no Hotel Camélia. Bom hotel, muito bem localizado, bom café da manhã e com um staff super atencioso. O único defeito era o banheiro, muito pequeno.
Imperdível: o Valle Verzasca. Reserve um dia inteiro. De uma beleza impressionante, prepare-se para uma estrada sinuosa, estreita e se for feriado, com muito movimento: pedestres, bicicletas, carros, motos e ônibus, todos dividem o mesmo espaço. Prepare também as moedinhas para pagar o estacionamento em cada um dos principais pontos de parada (1 ou 2 CHF). Detalhe: as máquinas não dão troco.
Primeira parada: a represa, onde há um paredão de 220m de altura. Neste paredão, foi gravada a cena onde James Bond pula de Bungee Jump no Filme “Golden Eye”. Para quem for maluco o suficiente, é possível repetir o feito. Nada para nós.
Este foi o primeiro dia, desde que começou a Primavera, que deu para sair de bermuda e camiseta
Segunda parada, a “Ponte dei Salti”. Ponte medieval, toda em pedra que simboliza o Valle.
A partir deste ponto, existem várias trilhas. Uma opção é deixar o carro por aqui e sair a caminhar. Fazia muito calor e as pessoas aproveitavam para tomar sol nas pedras. A água do rio é muito gelada, pois é água de degelo, mas alguns se aventuravam num banho. Eu só molhei o pezinho.
Impressionante a cor da água!
Seguimos até Sognono, a última cidade do Valle a 918m de altitude. Cidade não, um vilarejo.
Aqui, há várias casas de pedra, tradicionais da região. Comemos uma bela comida italiana no “Ristorante Alpino”. Dica: se for comer em um dos restaurantes, pode entrar com o carro e estacionar gratuitamente; do contrário, tem que parar do lado de fora, no estacionamento pago.
Descemos o Valle e terminamos o dia em Ascona. Cidadezinha que também fica à beira do Lago Maggiore. O lugar é uma graça, outra opção de hospedagem.
Orselina, Cardada e Cimentta são três montanhas de onde se tem uma bela vista de toda a região do Lago Maggiore e Alpes.
O primeiro trecho – Locarno/Orselina - é percorrido em um trenzinho (similar ao do Corcovado). O trem parte de 15 em 15 minutos e custa CHF 6,60. Em Orselina, está a igreja/convento “Madonna del Sasso”, mas não fomos visitá-la. A Orselina, também se pode chegar de carro, mas é difícil achar lugar para estacionar.

De Orselina, sai o bondinho até Cardada (1340m de altitude), de onde já se tem uma bela vista. O bondinho é como o do Pão de Açúçar, mas o percurso é mais longo.
Se pode comprar um ticket apenas até Cardada (CHF 27) ou um pouco mais até Cimentta (1670m de altitude – CHF 33). De Cardada a Cimentta, o percurso é feito em uma cadeirinha. Não sabíamos como era a tal “cadeirinha”, então, fomos apenas até Cardada. Mas, a “cadeirinha” é muito tranqüila. Em Cardada, também começam trilhas e, então, mais uma opção para caminhadas. Tivemos a impressão que, inclusive, é possível chegar a Cimentta caminhando.
Como ninguém é de ferro (as mulheres, principalmente) rolou um “shopping”. Em Mendrizio, outra cidade vizinha, há um “outlet” (Fox Town). Acho que o único da Suíça. Nada comparado a um “outlet” nos Estados Unidos, mas há coisas boas, com preços bem melhores que na cidade. Ahhh... com relação a preços, me pareceu que a região é mais barata que Basel.
Na volta, nova expectativa com o trânsito no túnel St. Gotthard, mas foram apenas 8 minutos parados no sinal e depois entrada livre. Muito melhor do que esperávamos. De volta a Basel, hora de começar a arrumar as malas; meus pais voltariam ao Brasil no dia seguinte.
Até a próxima !